domingo, 17 de agosto de 2014

FATHERLAND: O ROMANCE E O FILME


E se Hitler tivesse vencido a Guerra? O romance Fatherland, do escritor e jornalista britânico Robert Harris, foi publicado no Brasil pela Record com o título de Pátria Amada. O livro tenta responder a essa pergunta tantas vezes formulada ao longo da História.

A trama se passa em 1964. Estamos a uma semana das comemorações dos 75 anos do aniversário de Hitler. Os domínios do Terceiro Reich se estendem por quase toda a velha Europa. O Dia D nunca aconteceu, pois os nazistas souberam da existência da máquina Enigma, que decodificava as mensagens secretas dos alemães. Além disso, a Grã-Bretanha sofreu um eficiente cerco de submarinos alemães, deixando-a sem recursos e acessos. Os Britânicos se renderam em 1944. Churchil foi para o exílio no Canadá. Membros da família real, simpatizantes do nazismo, subiram ao trono. Os americanos voltaram para seu país com o rabo entre as pernas. Em 1946, os alemães fabricaram sua bomba atômica. A União Soviética, ainda governada por Stalin, continua a resistir os alemães ao Leste. Além do aniversário do Führer, as comemorações são importantes porque, depois de 20 anos, o governo americano voltará a manter relações com a Alemanha. O Presidente Joseph Kennedy, pai de JFK e conhecido anti-semita, vai ao encontro de Hitler para assinar um acordo de paz. O acordo é fundamental para que os alemães consigam apoio para derrotar de vez os soviéticos.

Dias antes do encontro entre os presidentes, o corpo de um homem é encontrado em um lago. O oficial da SS, a polícia secreta, Xavier March é designado para investigar o ocorrido. Logo ele vai descobrir que o morto era um ex-alto oficial, amigo pessoal de Hitler, mas que tinha caído em desgraça por corrupção. Tudo se complica quando uma jornalista americana, Charlotte Maguire, que está em Berlim para cobrir a assinatura do acordo, envolve-se nas investigações de March. A vida de ambos passa a correr perigo quando descobrem que um segredo de guerra pode comprometer o acordo de paz. Hitler, através da sinistra Gestapo, fará de tudo para que nada atrapalhe seus planos.                                                                   
                                                                                                                                                Vários livros, inclusive de não-ficção, especularam sobre possíveis cenários em um mundo pós-guerra em caso de vitória do regime nazista. O próprio Robert Harris admitiu que usou informações de outros autores para criar o seu mundo. Em Pátria Amada, os desdobramentos "históricos" depois do fim da guerra estão muito bem articulados com fatos e personagens reais. Harris usa a imaginação para especular o que fariam certas personalidades da História se elas continuassem ou tivessem o poder nas mãos. Como ele mesmo afirma no vídeo abaixo, não trata-se apenas dos crimes dos alemães, mas dos crimes de guerra em geral, e do esquecimento deles, por conveniências políticas. 
Acima de tudo, o romance é uma bem sucedida trama de suspense. Como os melhores autores do gênero, Harris coloca personagens muito bem desenvolvidos em meio a uma trama intrincada. Seu protagonista, Xavier March, é um daqueles homens da lei atormentados, questionando seus atos a todo momento, e, por isso, não muito bem visto pelos seus pares. Ele é um homem que não concorda com as ideias do Fürher, mas sabe que não é um inocente.

Harris é um autor mainstream de thrillers. Mas aqui ele criou um dos melhores romances de um dos mais populares subgênros da ficção-científica: a história alternativa. 

Em 1994, a HBO produziu uma adaptação. No Brasil, chamou-se A Nação do Medo. É um telefilme fraco. Foi dirigido com mão pesada, o roteiro simplifica demais as nuances do livro, e as atuações são preguiçosas, inclusive a de Rutger Haeur, como March. Miranda Richardson, no papel da jornalista, é o melhor do filme. A abertura em forma de documentário, com imagens reais, mostrando os desdobramentos da Guerra ganha pelo nazismo, causa impacto.

Pátria Amada, de Robert Harris, 352 págs., Record. AVALIAÇÃO: MUITO BOM

A Nação do Medo, de Christopher Menaul, 106 min., HBO Pictures.AVALIAÇÃO: REGULAR



segunda-feira, 11 de agosto de 2014

TODAS AS CORES DE MARCELO MAIOLO

Marcelo Maiolo é formado em Publicidade e Propaganda, mas atua na área de histórias em quadrinhos desde 2005 e já trabalhou em títulos de editoras como Dark Horse, Marvel Comics, Dynamite, Top Cow entre outras. Entre os personagens que trabalhou estão: Red Sonja, Athena e Vampirella.

Em seguida começou a trabalhar para a editora DC Comics em títulos como: Teen Titans, Liga da Justiça, Wondergirl e Superman. Com a reformulação conhecida como “Os Novos 52”, Maiolo assumiu títulos da linha Dark Edge: Demon Knights e I Vampire. Arqueiro Verde, Green Lantern Corps e Constantine estão entre seus trabalhos mais recentes para a DC Comics. Atualmente continua trabalhando para a DC enquanto desenvolve um projeto autoral. (Quanta Academia de Artes)

















terça-feira, 5 de agosto de 2014

RESENHA DE QUAD Nº4, HQ DE FICÇÃO-CIENTÍFICA BRASILEIRA


QUAD é uma antologia em quadrinhos, dividida em quatro histórias, passadas no mesmo universo de ficção-científica. Cada história foi escrita e ilustrada por um artista brasileiro. Quem comanda o roteiro e a arte do Nº4 é Eduardo Ferigato.

A HQ é uma space opera com um toque de terror. Acompanhamos a tripulação de uma nave que, depois de sofrer uma avaria, faz um pouso forçado num planeta desconhecido. Descobre-se que existem destroços de outra nave que podem ajudar no reparo. Será uma exploração cheia de mistério e suspense.

Eduardo Ferigato



O clima é de aventura dos anos 1980, com uma narrativa simples, mas que não deixa de ser sombria. Lembra os bons tempos da Sessão da Tarde. Lembra filmes de John Carpenter.

O casamento entre narrativa e diagramação é dos mais acertados, em que cada quadro foi pensado para potencializar ora o suspense, o ambiente fechado, o close; ora a grande escala da space opera, o panorâmico, o espaço vasto.

Leia também as resenhas de QUAD Nº1, QUAD Nº2 e QUAD Nº3.

QUAD Nº 4, de Eduardo Ferigato, edição digital, 35 págs.

AVALIAÇÃO: BOM

domingo, 3 de agosto de 2014

O ESPAÇO MESMERIZANTE DE FRED GAMBINO

Fred Gambino é um ilustrador e designer britânico com mais de 30 anos de carreira. Ele já fez capas de livros, colaborou no desenvolvimento de videogames e animações, e em artes para a indústria em geral. As imagens abaixo fazem parte do seu projeto multimídia Dark Shepherd. O vídeo é uma resenha do livro The Art of Fred Gambino, mostrando artes conceituais de seu projeto e um apanhado de sua trajetória.











segunda-feira, 28 de julho de 2014

RESENHA DE QUAD Nº3, HQ DE FICÇÃO-CIENTÍFICA BRASILEIRA


Diego Sanches
QUAD é uma antologia em quadrinhos, dividida em quatro histórias, passadas no mesmo universo de ficção-científica. Cada história foi escrita e ilustrada por um artista brasileiro. Quem comanda o roteiro e a arte do Nº3 é Diego Sanches.

Temos aqui não um, mas dois protagonistas. Eko é operário numa cidade tecnologicamente avançada, onde tudo funciona como um relógio, numa rotina maçante. Jeff é o chefe dos Lixeiros, homens que enfrentam os perigos de terras devastadas em busca de artefatos antigos. Tais objetos possuem grande valor para os robôs que comandam a cidade. Durante a trama, o leitor descobrirá o motivo.

A arte final mais indefinida, quase em pinceladas, faz um contraste interessante com o roteiro de ideias fortes, que sabe o que pretende, dando à HQ um clima de ficção-científica europeia dos anos 1950 e 1960. Uma aventura filosófica com seus personagens estilizados e cenários retrofuturistas.

Alguns (ou talvez muitos) dirão que o final é pessimista, um verdadeiro tapa na cara. Gostem ou não, não há como ficar indiferente.

Leiam também as resenhas de QUAD Nº1 e QUAD Nº2.

QUAD Nº 3, de Diego Sanches, edição digital, 31 págs.

AVALIAÇÃO: BOM

quinta-feira, 24 de julho de 2014

POPE É POP

O ilustrador e designer americano Paul Pope é requisitado tanto por marcas famosas como pela indústria dos quadrinhos. O traço dele é realmente especial, inconfundível, como o de Mike Mignola, o criador de Hellboy. Pope tem um traço ao mesmo tempo irreverente e brutal. E as cores de suas ilustrações dão sempre mais densidade, beleza e uma pegada pop aos personagens e cenários. Ele é o responsável pelo roteiro e arte de uma das versões mais elogiadas do Homem-Morcego nos quadrinhos (Batman Ano 100, Panini). Atualmente, ele publica a série Battling Boy. No Brasil, o primeiro volume foi publicado com o título Bom de Briga, pela Cia das Letras.